Com o aumento de público nos filmes fantásticos, Porto Alegre destaca-se ao apresentar o terceiro Festival de Cinema Fantástico da capital.
O cinema fantástico vive seu grande momento. Uma diversidade de títulos faz salas de cinema ao redor do mundo lotarem de jovens e adultos. No Brasil não poderia ser diferente. O público de todas as idades se reúne em busca de sagas de terror, ficção científica e fantasia. De Transformers até Clã das Adagas Voadoras, é possível encontrar um amplo leque de opções para os apreciadores do cinema fantástico.
O gênero fantástico abrange três das principais vertentes cinematográficas: a fantasia, a ficção-científica e o horror. Sendo assim, ao contrário do que muitos pensam, não é um gênero que vive à margem do cinema tradicional. Uma parte considerável dos filmes em cartaz na capital hoje, segue a linha fantástica.
A temática do fantástico renova-se constantemente. Histórias em quadrinho viram superproduções nas telas de cinema, e o terror parece nunca sair de moda. Uma nova safra, representada pelo horror asiático, e por diretores como Alexandre Aja, Alex de La Iglesia e Rob Zombie ganham prêmios e destaque na nova forma de se fazer cinema para assustar.
Festivais europeus como o organizado pela associação Melies, reúnem nove grandes eventos oficiais de cinema fantástico por toda a Europa. Estes nove festivais principais são apoiados por outros 14 festivais menores, tendo como representante de peso o Fantasporto em Portugal que no ano de 2007 exibiu 140 filmes fantásticos.
Mas não é só na Europa que festivais apóiam e divulgam o cinema fantástico. Em Porto Alegre, entre os dias 28 de setembro e sete de outubro ocorreu o III Fantaspoa, o Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Idealizado por um grupo de amigos durante uma viagem a Montevidéu em 2005, o festival cresceu e conquistou público.
O Fantaspoa é uma realização do Clube de Cinema de Porto Alegre. O Clube é uma instituição de 59 anos de idade que realiza sessões de cinema aos finais de semana, na capital. As sessões ocorrem na maioria das salas de cinema de Porto Alegre. O Clube de Cinema também apóia diversos festivais da cidade, além de promover por três anos o Festival de Cinema Fantástico. Este ano, o festival teve a direção de André Kleinert, João Pedro Fleck e Nicolas Tonsho, os dois primeiros, fundadores oficiais do evento.
A primeira edição do Fantaspoa começou pequena, com público de 900 pessoas. De lá para cá algumas modificações estruturais foram feitas. De seis dias de duração, o festival passou para dez dias. Hoje, na terceira edição, 2100 fãs de cinema fantástico marcaram presença. João Pedro acredita que o aumento de público se deve ao planejamento cuidadoso que a edição deste ano recebeu. “Tudo foi muito bem planejado pra que acontecesse dessa maneira”, conta Fleck, e afirma que “de 2007 para 2008 será diferente, se o público continuar aumentando aí sim é que iremos perceber a grandiosidade do festival”.
Neste ano, o festival contou com o apoio da Cinemateca Paulo Amorim, Sala de Cinema P.F. Gastal e com o Cine Santander Cultural. A programação foi a mais diversificada das três edições, trazendo ao público desde obras clássicas datadas do ano 10 do século passado até as mais novas produções do cinema fantástico mundial.
Nas telas podia-se ver desde clássicos do cinema fantástico da década de 30 até chineses com asas (Bird People in China, do diretor Takashi Miike) e Elvis Presley e JFK ainda vivos em um asilo (Bubba Ho-Tep, do diretor Don Coscarelli). Do Além, produção oitentista com imagens fantásticas dirigida por Stuart Gordon, e Lunacy, de Jan Svankmajer, filme que aborda a loucura de forma não convencional, também estavam em cartaz mostrando a diversidade de gêneros do festival.
Mas trazer títulos tão diferentes exige da organização do evento muito trabalho. João Pedro Fleck afirma que é “uma coisa meio complicada”. Nicolas Tasho explica: “Nós estudamos cuidadosamente quais filmes poderiam ser exibidos para atrair o maior público possível”.
A terceira edição do Festival de Cinema Fantástico da capital também trouxe cursos e debates abertos ao público. Ao término das sessões era possível debater com jornalistas, escritores e cineastas o conteúdo recém assistido nas telonas. Tirar dúvidas e conhecer melhor o trabalho dos diretores, uma troca que possibilitou aos fãs do terror e da ficção-científica aprender na sala de cinema.
O cinema fantástico atinge a todos. Seja para aqueles que assistem X-Men III ou aqueles que preferem A Volta dos Mortos Vivos, iniciativas como a destes rapazes em promover um festival que valorize e divulgue o cinema fantástico é um novo estímulo. Porto Alegre é desde 2005, referência na divulgação deste universo que ronda os filmes de fantasia, ficção-científica e horror, através do Fantaspoa. O que fica desta terceira edição do festival, além dos sustos, é o estímulo para que novas gerações se interessem por esta vertente do cinema que fascina a todos com seus monstros e zombies.


