Sobre o artigo anterior, é interessante perceber o quanto o otimismo é o ópio do povo, visto que não concretizei nenhum dos proto-desejos-de-ano-novo. Não pude juntar nem um centavo, ainda não me tatuei (mas isso vai acontecer no fim do mês se a contabilidade permitir), continuo chata pra caralho, permaneço no mesmo emprego suicida, não entrei no estágio de foto da faculdade, desisti de prestrar transferência, e esqueci de você, de nós, e deles.
A única coisa que se concretizou foi o fato de eu ficar doida com uma freqüencia não recomendada para uma estudante-trabalhadora-que-precisa-pagar-as-contas-de-casa. De qualquer forma não sou uma pessoa pessimista, nem pretendo aqui me queixar por tudo que poderia ter sido e não foi, algo quase sentimental de mais, uma emoção dolorida e dura como uma pedra pontiaguda que machuca a pele. Não não, porque sempre há novos planos. E porque sinto-me bem e renovada a cada dia, apesar de tudo e todos. Porque sempre haverá tinta, agulhas e música.
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